O Trek W de Torres del Paine de refugio em refugio percorre cerca de 75 km em 5 dias, dormindo nos refúgios das Las Torres Patagonia e Vertice. Reserve com 6 a 12 meses de antecedência para dezembro e fevereiro. Orçamento entre USD 1.200 e 1.750 por pessoa, sem voos. Altitude máxima: 900 m, sem risco de mal de altitude.
Imagine chegar à Laguna Torre às 7 da manhã e ver as três torres de granito se transformando de cinza carvão para âmbar e depois cobre ardente enquanto o sol ultrapassa a crista atrás de você. Essa imagem é o que atrai 250.000 pessoas por ano a Torres del Paine — e é exatamente o que te espera ao final de uma subida de quatro horas nas primeiras horas do Dia 1 do Trek W. Mas o nascer do sol é apenas o começo.
O grande trunfo do Trek W é sua arquitetura. A rota conecta três paisagens tão diferentes que poderiam pertencer a três parques distintos: um campo de torres de granito, um vale suspenso com geleiras e um lago turquesa emoldurando uma parede de gelo em colapso. O sistema de refúgios torna tudo isso acessível sem carregar uma mochila pesadíssima: dormitórios, chuveiros quentes e refeições prontas aguardam ao final de cada trecho, o que significa que você carrega 10 kg em vez de 25 kg e chega com energia suficiente para realmente apreciar o lugar por onde acabou de passar.
O Trek W em Resumo
O W deve seu nome ao formato da rota no mapa: dois braços se estendem ao norte em direção às Torres e ao maciço do Valle del Frances, unidos por uma espinha central que vai de leste a oeste ao longo do Lago Nordenskjold em direção ao Glaciar Grey. É possível percorrê-lo de leste a oeste (Las Torres primeiro, glaciar por último — a direção mais popular) ou de oeste a leste (glaciar primeiro, Torres por último, preferido por fotógrafos que querem a luz da manhã nas torres no final). Ambas as direções contam com refúgios em todo o percurso.
Dia a Dia: Os Trechos do Trek W
Dia 1 -- Mirador Las Torres: a ascensão icônica
O dia fisicamente mais exigente vem primeiro, e isso faz todo sentido. Você começa com as pernas descansadas e a perspectiva da vista mais celebrada da Patagônia. Partindo de Las Torres Central, a trilha sobe gradualmente por uma floresta de faias do sul até o Refugio Chileno (5,7 km, cerca de 2 horas), e então sobe abruptamente por uma moraine glacial repleta de pedras até o Mirador, ao pé das três torres (mais 3,4 km, de 2,5 a 3 horas de subida). O ganho de altitude apenas nesse último trecho é de 743 m. Retorne a Chileno pelo mesmo caminho e passe a noite lá.
A manobra clássica: partir de Chileno entre 4h00 e 4h30 com lanterna de cabeça para ver o nascer do sol. As torres ficam voltadas para o leste e captam a primeira luz de forma espetacular, ficando em laranja intenso antes de voltar ao granito cinza usual. Atenção: a trilha do Mirador fecha às 15h00 para caminhantes diurnos — regra da CONAF em vigor desde 2024.
Dia 2 -- Los Cuernos: a travessia do lago
Um dia de recuperação mais tranquilo para os padrões do Trek W: 12 km, 250 m de ganho, de 4 a 5 horas. A trilha percorre uma posição de varanda espetacular acima das águas azul-profundo do Lago Nordenskjold, com os Cuernos del Paine — aquelas distintas formações bicoloridas de rocha metamórfica escura coroando granito claro — se erguendo diretamente à frente. Os Cuernos são visualmente incomparáveis a qualquer outra coisa na América do Sul, resultado de um acidente geológico: dois tipos de rocha moldados por uma escultura glacial de 12 milhões de anos. Chegue cedo ao Refugio Los Cuernos para garantir uma mesa no terraço com a vista.
Dia 3 -- Valle del Frances: o anfiteatro
O dia mais longo, e na opinião da maioria o mais espetacular. A rota parte de Cuernos e segue a margem até o Campamento Italiano (7 km), onde você deixa a mochila antes de subir para o Valle del Frances. Trata-se de um vale suspenso esculpido por geleiras, fechado em três lados por paredes que chegam a 2.000 m de altura. Geleiras suspensas soltam seracs ao longo do dia — o estrondo profundo do gelo que desmorona ecoa pelo vale a cada hora mais ou menos. Condores dos Andes planam nas correntes de ar acima da crista. Do Mirador Britanico (extensão opcional, +630 m, cerca de 5 horas de ida e volta a partir do Italiano), o panorama de 360 graus abrange o maciço do Paine inteiro, o Lago Nordenskjold e o Lago Pehoe ao mesmo tempo.
Após recolher a mochila, siga mais 7,5 km até o Refugio Paine Grande para passar a noite (agora sob operação da Vertice). Daqui, restam dois dias: rumo ao sudoeste em direção ao glaciar, ou de volta para o leste, ao ponto de embarque do catamarã.
Dia 4 -- Glaciar Grey: a parede de gelo
O dia de trilha mais curto (11 km, de 4 a 5 horas) reserva o final visualmente mais marcante. A trilha percorre a margem leste do Lago Grey entre arbustos patagônicos, e o glaciar se revela aos poucos: primeiro uma mancha branca distante na encosta, depois icebergs flutuantes do tamanho de carros, e por fim a parede terminal em si — 6 km de largura e 30 m de altura, um penhasco branco-azulado de gelo compactado despedaçando-se no lago. O Refugio Grey fica diretamente em frente a essa parede. A luz da manhã sobre o gelo vale acordar cedo.
Do Refugio Grey, duas atividades opcionais merecem atenção: o trekking sobre o próprio glaciar (5 horas, ~USD 275 em 2026-2027, reserve com 24 a 48 horas de antecedência) e o caiaque entre os icebergs flutuantes no Lago Grey (3 horas, ~USD 200, sem experiência prévia necessária).
Dia 5 -- Saída: catamarã e ônibus
A saída padrão vai do Refugio Grey até o Paine Grande (11 km, 4 horas), onde você pega o catamarã que cruza o Lago Pehoe até Pudeto (25 minutos, ~USD 30, com partidas às 9h20, 11h20, 17h00 ou 18h40 na alta temporada) e depois um ônibus até Puerto Natales (2,5 horas). Prefira pesos chilenos em espécie para o catamarã — leve desde Puerto Natales, pois não há caixas eletrônicos no parque.
O Sistema de Refugio em Refugio
A opção de refugio em refugio transforma o Trek W de um exercício de sobrevivência (mochila de 25 kg, barraca, fogareiro, 5 dias de comida) em uma aventura logisticamente viável (mochila de 10 a 12 kg, sem equipamento de cozinha). A contrapartida é o custo e a complexidade do planejamento: os dormitórios dos refúgios Las Torres custam de USD 70 a 120 por pessoa por noite, e a pensão completa (café da manhã, almoço embalado, jantar) soma cerca de USD 140 por pessoa por dia.
Las Torres Patagonia opera os refúgios do leste e do centro: Chileno (Dia 1), Los Cuernos (Dia 2) e os Domos del Frances (uma opção de glamping geodésico na entrada do Valle del Frances). O preço da pensão completa é consistente em todas as propriedades. A opção de nível superior é o Hotel Las Torres na entrada do parque, que funciona mais como resort do que refúgio, mas serve de base confortável para a primeira noite.
Vertice Patagonia opera a metade oeste: Paine Grande (Dia 3) e Refugio Grey (Dia 4). Os preços são ligeiramente mais baixos (dormitório por volta de USD 38 a 40 por noite, pensão completa a ~USD 100 por pessoa por dia), e a Vertice também mantém a operação de aluguel de equipamentos mais completa do parque, caso você queira acampar em algumas noites para reduzir os custos.
EcoCamp Patagonia ocupa uma terceira categoria: 50 cúpulas geodésicas em uma concessão privada com vistas diretas para o maciço do Paine. Uma cúpula standard começa em torno de USD 500 a 560 por noite, incluindo todas as refeições, e o camp oferece seu próprio programa guiado de Trek W, em que os hóspedes retornam ao EcoCamp a cada noite em vez de se deslocar entre refúgios. É a forma mais confortável e, de longe, a mais cara de vivenciar o parque.
A Las Torres Patagonia costuma abrir as reservas para a temporada seguinte em abril ou maio. As noites de dormitório em dezembro e janeiro esgotam rotineiramente em 24 a 48 horas após a abertura. Coloque um lembrete na agenda para o início de abril de 2026 para garantir datas para a temporada 2026-2027. A Vertice abre algumas semanas depois. A plataforma torreshike.com combina as duas operadoras, mas cobra uma comissão de 10 a 15% — reservar diretamente em lastorres.com e vertice.travel é mais barato.
Pacotes de trekking guiado de vários dias
Para quem prefere não gerenciar a logística de forma independente, os pacotes guiados de vários dias combinam transporte, reserva de refúgios, refeições e um guia certificado em uma única contratação. São especialmente valiosos na alta temporada, quando combinar os componentes individualmente é difícil, e muitas vezes garantem noites em refúgios que seriam impossíveis de reservar separadamente.
Melhor Temporada para o Trek W
A temporada de trekking vai de outubro ao final de abril. Cada mês tem um caráter distinto:
Outubro é o mês mais tranquilo e, provavelmente, o mais bonito: sem multidões, faias-do-sul começando a brotar, neve possível acima de 600 m e temperaturas entre 0 e 12 graus. Alguns refúgios estão recém-abrindo e nem todos os serviços estão em pleno funcionamento. As vistas das Torres contra uma paisagem coberta de neve são extraordinárias, mas confirme com as operadoras se todos os refúgios do seu roteiro estão abertos.
Novembro marca o início da alta temporada e, estatisticamente, os ventos mais fortes do ano. Rajadas de 100 km/h são padrão; rajadas acima de 130 km/h em trechos expostos estão documentadas. O parque fica progressivamente mais movimentado a partir de meados de novembro.
Dezembro e janeiro são o auge do verão — 17 a 18 horas de luz do dia, temperaturas chegando a 20 graus, refúgios totalmente lotados. O vento continua intenso. O parque está no seu auge de movimentação. Bonito e logisticamente exigente.
Fevereiro é o ponto ideal: dias longos, menos visitantes do que em janeiro, clima ligeiramente mais estável e refúgios em plena operação. A maioria dos guias experientes de Patagônia aponta fevereiro como o melhor mês.
Março é para cores de outono e fotógrafos. A faia-do-sul (Nothofagus pumilio) fica em laranja e vermelho intensos nas encostas. O vento diminui em relação ao verão. A chuva aumenta. Alguns refúgios começam a reduzir os serviços a partir de meados do mês.
Abril marca o fim da temporada. Os dias encurtam para 11 a 12 horas. Os refúgios fecham progressivamente após meados de abril. Trilheiros iniciantes devem evitar abril.
O vento: o vento é a realidade física definidora de Torres del Paine, mais do que a distância ou a altitude. O parque situa-se no cinturão dos Ventos Uivantes sem nenhuma barreira de relevo entre os Andes e o Pacífico nessa latitude. Espere rajadas sustentadas de 80 a 100 km/h nos trechos expostos. Regras práticas: comece a caminhar antes das 9h enquanto o vento ainda está mais fraco, mantenha sempre o corta-vento acessível (não enterrado na mochila), use dois bastões de trekking em terreno aberto e jamais carregue objetos que funcionem como vela.
Planejamento Prático: Permissões, Orçamento e Como Chegar
A permissão de entrada CONAF é obrigatória e inegociável. Compre-a em pasesparques.cl pelo menos 24 horas antes de entrar no parque. A partir de maio de 2026, a CONAF implanta um sistema de cotas por rota — seu ingresso ficará vinculado a uma seção específica do parque. Os preços da temporada 2026-2027 ainda não foram divulgados; a tarifa da alta temporada 2025-2026 para adulto estrangeiro era de USD 35. Tire uma captura de tela do seu QR code: não há sinal de celular dentro do parque.
Como chegar ao parque desde o Brasil: o roteiro padrão é voar para Santiago (SCL) — com partidas frequentes de São Paulo (GRU/CGH) e Rio de Janeiro (GIG), operadas principalmente pela LATAM, JetSMART e Sky Airline — e depois pegar uma conexão doméstica para Punta Arenas (PUQ). O trecho Santiago-Punta Arenas leva cerca de 3h15 e custa a partir de USD 70 com as companhias de baixo custo. De Punta Arenas, ônibus para Puerto Natales (247 km, 3 a 4 horas) saem 22 vezes ao dia na alta temporada por USD 9 a 15. Reserve 1 a 2 noites em Puerto Natales para organizar o equipamento, compras e o trecho final até o parque.
Até o parque: ônibus partem de Puerto Natales às 7h30 e 14h30 (USD 8 a 16) em direção à entrada principal do parque em Laguna Amarga, para quem faz a rota de leste a oeste, ou até Pudeto, para quem começa pelo lado oeste. Transfers privados custam de USD 30 a 50 por pessoa, mas são compartilhados por veículo — em grupos de quatro, o custo por assento fica mais barato.
Resumo do orçamento (opção refugio em refugio, 5 dias, alta temporada, por pessoa):
- Entrada CONAF: ~USD 35
- Dormitórios (4 noites): USD 320 a 480
- Pensão completa (4 dias): USD 400 a 560
- Catamarã Pudeto—Paine Grande: USD 30
- Ônibus Puerto Natales—parque (ida e volta): USD 16 a 32
- Total transporte local e no parque: USD 800 a 1.100
Acrescente de USD 150 a 250 para hospedagem e alimentação em Puerto Natales (2 noites) e de USD 100 a 300 para o ônibus Punta Arenas—Puerto Natales e possível aluguel de equipamentos, chegando a um total realista de USD 1.200 a 1.750 por pessoa, excluindo voos internacionais.
O seguro viagem é indispensável. A evacuação de helicóptero médico sem cobertura custa de USD 3.000 a 8.000. As apólices padrão excluem trekking em montanha; especifique “trekking até 3.000 m” ou “Patagônia” no momento da contratação.
Chegando de Punta Arenas com transfer privativo
Um transfer privativo de Punta Arenas diretamente à entrada do parque dispensa a conexão de ônibus em Puerto Natales e vale a pena considerar se você pousar no mesmo dia em que quer iniciar o trek. A viagem leva cerca de 3h30 e custa em torno de USD 80 a 120 por veículo.
A preparação física é fundamental. A maioria dos trekkers que fazem o Trek W pela primeira vez subestima a fadiga acumulada de cinco dias consecutivos com 15 a 22 km cada um, mochila carregada e vento imprevisível. Construa gradualmente até fazer dias de trilha consecutivos de 15 km com mochila de 8 a 10 kg ao longo das 12 semanas anteriores à partida. Se você gosta de desafios de trilha em montanha e quer um parâmetro mais exigente para treinar, leia nosso guia sobre trail running nas Montanhas Hajar com o Oman by UTMB.
Info prática
FAQ
Com quanto tempo de antecedência devo reservar os refúgios do Trek W de Torres del Paine?
Para a alta temporada (dezembro a fevereiro), reserve com 6 a 12 meses de antecedência — os dormitórios esgotam em horas após a abertura das reservas, que ocorre em abril ou maio. A Las Torres Patagonia abre primeiro via lastorres.com; a Vertice abre em vertice.travel algumas semanas depois. Para outubro ou março, 2 a 3 meses de antecedência costumam ser suficientes. Não conte com vagas de walk-in na alta temporada.
Qual a diferença entre o Trek W e o Circuito O em Torres del Paine?
O Trek W cobre cerca de 75 km em 4 a 5 dias e visita os três principais destaques do parque: Mirador Las Torres, Valle del Frances e Glaciar Grey. Refúgios estão disponíveis em todo o percurso. O Circuito O acrescenta a seção norte remota (cerca de 130 km, 7 a 10 dias), cruza o exigente Paso John Gardner a 1.241 m e requer acampamento ou abrigos básicos em parte do trajeto. O Trek W é a escolha certa para a maioria dos visitantes de primeira viagem.
O Trek W é adequado para quem não tem experiência técnica em montanha?
Sim. O Trek W é classificado como moderado: sem travessias glaciais, sem escaladas expostas, altitude máxima de 900 m (sem risco de mal de altitude). O dia mais longo cobre de 19 a 22 km com cerca de 1.200 m de ganho acumulado, incluindo o campo de pedras abaixo do Mirador Las Torres. Treinar de 15 a 20 km por dia com mochila de 10 a 12 kg durante 3 meses antes é a preparação padrão. O principal desafio é o vento patagônico, não o terreno técnico.
Qual é o melhor mês para fazer o Trek W de Torres del Paine?
Fevereiro é o consenso entre trekkers experientes: menos visitantes do que em janeiro, clima mais estável do que em março, longos dias de luz (cerca de 16 horas) e refúgios em pleno funcionamento. Outubro e março são excelentes para quem busca tranquilidade e luz dramática, embora outubro possa trazer neve acima de 600 m. Evite o final de abril, quando os refúgios começam a fechar e os dias encurtam rapidamente.
Quanto custa o Trek W por pessoa em 2026-2027?
Preveja entre USD 1.200 e 1.750 por pessoa para a opção de 5 dias de refugio em refugio, incluindo dormitórios e pensão completa (café da manhã, almoço embalado e jantar) nos refúgios Las Torres e Vertice, a taxa de entrada CONAF (cerca de USD 35 na alta temporada), a travessia de catamarã (USD 30) e o transporte de ônibus desde Puerto Natales (USD 8 a 16). Não inclui voos internacionais nem hospedagem em Puerto Natales, onde um dormitório de hostel sai por USD 15 a 25 por noite.
Fontes
- Parque Nacional Torres del Paine — CONAF — CONAF (Corporación Nacional Forestal)
- Reserva de refúgios — Las Torres Patagonia — Las Torres Patagonia
- Reserva de refúgios — Vertice Patagonia — Vertice Patagonia
- Permissões de entrada CONAF — Pasesparques — CONAF
- Horários e reservas do catamarã Lago Pehoe — Hielos Patagonicos
- EcoCamp Patagonia — cúpulas geodésicas — EcoCamp Patagonia
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